Avião que caiu em MT pode ter sido usado para tráfico internacional e seguia para Venezuela

A Polícia Civil investiga se o avião que caiu e matou três pessoas na zona rural de Água Boa (MT), no dia 10 de setembro, estava sendo utilizado novamente em uma operação ligada ao tráfico internacional de drogas. As diligências apontam que a aeronave decolou de Goiânia sem autorização e teria como possível destino a Venezuela.
O avião era um Cessna 402, fabricado em 1970, e já tinha histórico relacionado ao tráfico de drogas. A aeronave havia sido apreendida anos atrás em uma investigação envolvendo cocaína e posteriormente foi colocada em leilão pela Justiça.
Segundo a investigação, o avião foi adquirido pelo novo proprietário cerca de quatro meses antes da queda. Os policiais apuram as circunstâncias da compra, inclusive a forma de pagamento, e levantaram indícios de que a situação financeira do comprador não seria compatível com a negociação.
Parte do pagamento teria sido feita em dinheiro e outra parte por meio de um veículo de alto valor. O carro utilizado na negociação, segundo os investigadores, já teria pertencido a uma pessoa investigada por tráfico internacional de drogas.
Voo clandestino
Outro elemento que chamou a atenção dos investigadores foi a situação irregular da aeronave.
O Cessna teria permanecido em um hangar em Goiânia e, segundo os levantamentos policiais, não estava em condições regulares de operação. Mesmo assim, o novo proprietário e outras duas pessoas embarcaram no avião e decolaram.
A aeronave não possuía registro válido no Brasil, não havia passado pelo processo de nacionalização e não contava com certificado de aeronavegabilidade. Também não foi localizado plano de voo aprovado para o deslocamento.
As primeiras informações divulgadas após o acidente já apontavam que a aeronave estava sem registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e havia saído de Goiânia.
Rota para a Venezuela
A reconstrução do itinerário passou a ser outro ponto central da investigação.
Conforme os novos levantamentos, o voo teria partido de Goiânia com provável deslocamento para países vizinhos e possível destino final na Venezuela. Familiares de um dos ocupantes teriam informado aos investigadores que ele havia dito que viajaria para o país.
A hipótese ainda é tratada como linha investigativa e deverá ser confrontada com os demais elementos reunidos pela Polícia Civil.
Avião já havia sido apreendido com cocaína
O histórico da aeronave também chamou a atenção dos investigadores.
O Cessna 402 identificado como N401NA foi apreendido em 2017, em Goiânia, após policiais encontrarem quase 100 quilos de cocaína escondidos no avião, segundo documentos relacionados ao caso. Posteriormente, a aeronave foi vinculada a processos judiciais e acabou sendo levada a leilão.
Após a queda, informações sobre a identificação da aeronave chegaram a apresentar registros diferentes, mas o número de série e outros elementos apontaram para o mesmo Cessna envolvido na apreensão anterior.
Três pessoas morreram
O acidente aconteceu em uma propriedade rural de Água Boa. A aeronave caiu e foi consumida pelas chamas, deixando três mortos.
Os corpos foram encontrados carbonizados entre os destroços. A identificação definitiva depende dos exames realizados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
A perícia também apontou inicialmente que a aeronave caiu praticamente na vertical e não deixou sinais claros de uma tentativa de pouso de emergência. O Cenipa participa das apurações relacionadas ao acidente.
Os investigadores agora tentam esclarecer quem adquiriu a aeronave, qual era a finalidade do voo, quem eram os três ocupantes e se o avião seria efetivamente utilizado para o transporte internacional de drogas.
A Polícia Civil ainda aguarda a conclusão de exames periciais e reúne informações sobre a origem, a rota e a possível carga que seria transportada.
Fonte: Da Redação

























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