Aos 63 anos, pedreiro conclui ensino médio após 41 anos longe da escola em MT
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Venezuelano, Silvestre Brizola trabalha desde os 16 anos e realizou o sonho de se formar ao lado de outros 21 trabalhadores.

Depois de 41 anos longe da sala de aula, o pedreiro Silvestre Ramon Brizola, de 63 anos, vestiu pela primeira vez a beca e o capelo para receber o diploma de conclusão do ensino médio. Venezuelano e morador de Mato Grosso, ele retomou os estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Silvestre chegou ao Brasil há oito anos em busca de novas oportunidades. Trabalhador desde os 16 anos, atualmente é funcionário da construtora São Benedito e precisou conciliar a rotina profissional com seis meses de dedicação aos estudos.
“Hoje me sinto emocionado por estar aqui, compartilhando esse momento com muita gente querida. É a primeira vez na vida que sou reconhecido como estudante. Não importa a idade. Se temos a oportunidade de continuar, não podemos parar”, afirmou Silvestre.

Ele integra um grupo de 22 trabalhadores que concluiu o ensino regular por meio de uma parceria entre a empresa e o Serviço Social da Indústria de Mato Grosso (Sesi-MT). A formatura foi realizada na quarta-feira (19).
Para facilitar a participação dos funcionários, as aulas presenciais eram realizadas uma vez por semana no próprio local de trabalho. O restante do conteúdo podia ser acessado pela internet.
Incentivada pela filha
A trabalhadora de serviços gerais Luisa Rosa de Oliveira, de 59 anos, também estava entre os formandos. Natural de São Paulo, ela deixou a escola ainda na infância, após passar por sucessivas mudanças de endereço.
Com o passar dos anos, a rotina de trabalho e os cuidados com a família dificultaram o retorno aos estudos. A possibilidade de acompanhar as aulas na empresa permitiu que ela retomasse um desejo antigo.
Luisa contou que sempre quis voltar a estudar, mas adiava a decisão por causa do cansaço provocado pela rotina de trabalho. Segundo ela, as aulas realizadas na própria empresa facilitaram a organização do tempo.
A filha dela, Daiane Rosa, acompanhou de perto a trajetória da mãe e a ajudou nas atividades escolares. Ela lembrou que Luisa não teve a oportunidade de estudar porque sempre precisou trabalhar, mas garantiu a educação dos filhos e os incentivou a permanecer na escola.
Aulas presenciais e pela internet
A metodologia da EJA adotada pelo Sesi-MT combina atividades presenciais e online. Do total da carga horária, 80% são cumpridos pela internet e 20% presencialmente.
Os encontros podem ser realizados uma vez por semana, conforme o calendário do curso. Nos demais dias, os alunos acessam a plataforma de estudos no horário e no local mais convenientes.
Segundo a gerente do Sesi Escola Várzea Grande, Pollyana Coelho, o modelo busca facilitar o acesso dos trabalhadores à educação básica e ampliar as possibilidades de qualificação profissional.
A parceria começa pela formação básica, com os anos finais do ensino fundamental e o ensino médio, e pode avançar para cursos de qualificação profissional voltados às demandas do mercado de trabalho.
Fonte: Primeira Página

























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