Radicalismos escondem as diferenças entre Bolsonaro e Lula e o Brasil que cada um quer governar
- Welington R
- 18 de out. de 2022
- 7 min de leitura
Está errado quem pensa que Bolsonaro e de Lula são iguais. Os dois são como água e azeite quando se trata de governar o país

A radicalização dos debates entre bolsonaristas e petistas durante este pleito eleitoral faz com que muitos brasileiros vejam os dois candidatos a Presidência da República como se fossem “farinha do mesmo saco”. Na verdade, esta ideia de igualdade entre Bolsonaro e Lula é um grave erro de percepção e de entendimento da realidade. Os dois são absolutamente diferentes desde o caráter pessoal até a raiz do que pregam como propostas de governo para o Brasil. As diferenças mais importantes entre Bolsonaro e Lula não estão no fato de que Jair Bolsonaro é assumidamente um homem grosseiro, mal educado e falastrão em qualquer ambiente e circunstância e Luiz Inácio Lula da Silva ser um sujeito mais ponderado, afável e respeitoso nos ambientes que frequenta, seja uma favela, seja um palácio. Essas características são evidentes, mas superficiais.
E contam meramente como ‘embalagem’ dos produtos políticos que são os dois. O que realmente importa - e deve ser pesado e avaliado com muita atenção pelos eleitores nesse segundo da eleição - é o conteúdo político-econômico e administrativo que cada um carrega em seu DNA de candidatos a Presidente.
São as propostas e planos que cada um deles pretende aplicar na governança da maior nação da América Latina e 13ª economia do planeta que precisam ser conhecidas em profundidade pelos eleitores e consideradas na hora hora de decidir em quem se irá vota no dia 30 de outubro.
A reportagem do CO Popular, cumprindo seu dever de informar a sociedade e oferecer aos seus leitores informações sérias, verdadeiras e aprofundadas para que possam fazer sua própria análise e escolha consciente e democrática, trás nesta matéria conteúdos comparativos que mostram as principais e mais importantes diferenças entre o Brasil que Bolsonaro vem criando e o Brasil que Lula propõe ser construído.
Resumo do plano de governo de Lula
O Estado como indutor do desenvolvimento; Maiores gastos públicos, direcionados para áreas prioritárias; Investimentos públicos em infraestrutura; Fomento ao mercado interno, com crédito barato; Fomento à indústria nacional, com crédito barato e política de proteção e de compras (pelo Estado) de produtos nacionais; Agenda ESG forte; Contrário às privatizações; Revogação de reforma trabalhista: volta da gratuidade da justiça trabalhista para o empregado; Outra reforma previdenciária, mais inclusiva; Melhoria da imagem e estabilidade institucional, evitar e acabar com a crise entre poderes através da conversa; Revogação do teto de gastos; Provável volta do imposto sindical; Fomento à construção civil e à habitação; Fomento ao Turismo; Fomento à Educação; Setores beneficiados com compras governamentais: saúde, energia, alimentos e defesa; Intervenção no mercado cambial (intenção de diminuir a volatilidade); Política de preços controlada de energia e fomento de produção de “bens de consumo críticos”: armas para o controle da inflação; Aumento da concorrência do setor bancário e desburocratização.
Resumo do plano de governo de Bolsonaro
Redução do peso do Estado; Desburocratização; Redução da dívida em % do PIB; Redução de impostos; Proteção dos direitos de propriedade; Empreendedorismo; Liberdade Individual; O indivíduo e a família não podem depender do Estado; Continuidade da agenda de reformas; Transparência e segurança jurídica; Concessões e privatizações; Fomento à infraestrutura com capital privado; Maior produtividade dos agentes públicos, com avaliação de desempenho, metas e planos de carreira; Tripé macroeconômico garantido: teto de gastos e autonomia do Banco Central; Aumento da concorrência e da competitividade.
O QUE É O BRASIL BOLSONARISTA
O atual ocupante do Palácio do Planalto, que tenta a reeleição, Jair Bolsonaro (PL), baseia seus argumentos para se manter no cargo em um projeto difuso do que seria um Brasil de governo Neoliberal Populista Conservador. Esse ‘modelo’ de país defendido por Bolsonaro e seus seguidores, tem suas bases supostamente calçadas em três pilares básicos:
- Liberdade total
Na prática isso significa: compra e uso descontrolado de armas; desmatamento, garimpagem, poluição e queimadas em áreas de preservação e conservação ambiental; divulgação sem regras de ideias preconceituosas, racistas, discriminatórias e mentiras de qualquer natureza;
- Redução do estado na vida do cidadão
A ideia bolsonarista de estado mínimo é extremista a ponto de, se aplicada em sua íntegra, levar a destruição o Estado como ente Gestor e Mediador dos processos de desenvolvimento, convivência, integração social, econômica e cultural do povo brasileiro. Para Bolsonaro, redução do estado significa eliminar os direitos dos trabalhadores, reduzir salários, aumentar o tempo para aposentadorias, demitir em massa e por interesse político servidores públicos de carreira, privatizar todos os bens, serviços públicos e riquezas naturais do país; acabar com a previdência social, financiar apenas os grandes empreendedores, privilegiar o lucro e os interesses do capital.
- ‘Valores morais’ conservadores
Este é o pilar mais importante do modelo de Brasil de Bolsonaro. Aqui, os valores morais conservadores não são os clássicos – aqueles que preconizam o respeito à ética ocidental e liberal, às instituições democráticas e republicanas do iluminismo e da revolução francesa. Mas, sim, os neovalores morais ‘conservadores’ dos dogmas evangélicos neopentecostal como a misoginia (desvalorização da liberdade e dos direitos das mulheres), segregação por sexo, nacionalidade, religião e etnia, ideologia política e até por conhecimento científico.
Exatamente nessa ordem.
O QUE É O BRASIL PETISTA
O candidato do PT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, se propõe a resgatar o projeto de Brasil Justo Para Todos que iniciou em seus dois primeiros mandatos e que teve prosseguimento nos mandatos de Dilma Rousseff, processo que foi interrompido pelo golpe midiático-parlamentar e jurídico de 2016 que cassou o mandato da presidenta petista. Basicamente, o que Lula propõe é reedificar as bases necessárias para a criação de um moderno estado de bem-estar social democrático que seja robusto econômica, política, social e culturalmente. Este modelo de Brasil tem suas bases alicerçadas em três pilares-mestres:
- Liberdades Econômica e Cidadã
Para Lula, os empresários e investidores são livres para definirem em quê, quando, onde, como e quanto aplicarão de seus recursos próprios; livres para determinarem suas margens de lucro, estabelecer suas estratégias de negócios, redução de riscos e priorizar áreas de investimento, etc. O Estado não vai intervir na gestão de empresas privadas, não ditará suas políticas internas e nem cerceará sua administração. A livre iniciativa e o empreendedorismo serão apoiados e protegidos seguindo os marcos legais que disciplinam cada área econômica. O projeto de Brasil de Lula prevê, no entanto, que o estado exerça a tarefa de promover e estimular prioritariamente aquelas ações que gerem produção de riquezas como investimentos estruturantes em logística e mobilidade, indústria, energia e mesmo em comércio, agronegócio, pesquisas, tecnologia, educação, urbanização, etc. Ou seja, o Estado deve atuar em parceria com a iniciativa privada sem abrir mão da prerrogativa de definir onde, quando e como se darão os investimentos públicos prioritários e estratégicos para o desenvolvimento equilibrado e harmônico de todos os estados, todos os municípios e da Nação em geral. As liberdades democráticas e cidadãs devem ser garantidas sem distinção para todos, segundo propõe o plano de Lula para o Brasil. Todo cidadão adulto é livre para definir sua opção sexual, sua religião, seu estilo de vida. O estado não deve interferir na liberdade individual do cidadão e cidadã sobre o seu corpo, o seu conceito de família, de arte, seu modo de ser e se relacionar com outros em seus ambientes privados, em suas comunidades ou sociedade, mas tem a obrigação de garantir que cada indivíduo da nação brasileira exerça plenamente seus direitos e ser respeitado por todos. No Brasil proposto por Lula, o estado deve intervir para reduzir os riscos de violências em todos os âmbitos, controlando a circulação, pose e porte de armas pelos indivíduos; impedindo atos individuais oi coletivos de segregação, discriminação, ameaça ou perseguição a terceiros por quaisquer razões; deve estabelecer critérios e limites para as redes de comunicação, plataformas e aplicativos de interação digitais de acordo com a Constituição e as legislações do país sobre uso de imagem, voz e difusão de informações e dados sobre pessoas, instituições e organismos públicos e privados. A liberdade pensamento, expressão, manifestação, de propriedade, de religião, organização e práticas políticas são garantidas e respeitadas conforme preconiza a Constituição do Brasil.
- Politicas Sociais e Direitos dos Trabalhadores No modelo de estado brasileiro defendido por Lula e seus aliados, o Governo Federal deve assegurar a superação dos desiquilíbrios econômicos-sociais, promovendo a distribuição de renda, assegurando meios de mobilidade social e econômica para a população em geral. As desigualdades regionais também precisam ser enfrentadas com políticas públicas e investimentos que promovam a vocação econômica de cada localidade, garantindo investimentos estruturantes, promovendo a organização de cadeias produtivas, proporcionando a formação profissional, técnica e acesso à tecnologia e financiamento adequado para a geração de renda, riquezas, oportunidades de trabalho e erradicação da pobreza endêmica a partir de um novo modelo de sustentabilidade sócio-econômico nacional. Todas e todos terão cidadania plena, com as mesmas oportunidades. Os trabalhadores devem ter todos os seus direitos legalmente assegurados, condições dignas de trabalho, salários valorizados, corrigidos pela inflação e com ganhos reais proporcionais ao crescimento do PIB Nacional.
- Soberania e Protagonismo internacional
No projeto de Brasil que Lula propõe governar, a soberania nacional e o protagonismo politico e econômico brasileiro no cenário internacional voltam a ser metas fundamentais do processo de desenvolvimento do país. Com o atual governo, o Brasil voltou ao estágio de 2002 como país de terceiro, caindo para a posição de 13ª economia do mundo quando, em 2012, havíamos atingido a condição de 6ª economia mundial passando a Inglaterra. Para resgatar o prestígio internacional e reassumir o papel de líder dos BRICs e do Mercosul, Lula pretende relançar em novos patamares, políticas econômicas anticíclicas, ampliando financiamento aos setores exportadores, estimulando, fortalecendo e ampliando o mercado consumidor interno, recriando linhas de crédito para a população, empreendedores, micro, pequenas empresas e industrias de manufaturas e agroindústrias de todos os portes, fortalecendo o BNDES e demais bancos públicos, reativando as industrias naval, aeroespecial, eletroeletrônica, de construção civil pesada e imobiliária, entre outras medidas..
Para Lula, é fundamental para o Brasil o fortalecimento do Mercosul, da Unasul, do Conselho de Defesa da América do Sul e Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe, organismos estratégicos na geopolítica das Américas. Junto com o Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS) os BRICS que inclui a Rússia e China, essas instituições e blocos de parcerias multilaterais terão papel crucial para que o país volte a ser uma das 20 nações mais importantes do planeta, ganhando respeito, credibilidade e oportunidades para impulsionar o seu pleno desenvolvimento.
Fonte: A Noticia MT

























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